quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Educação para a diversidade

No dia 20 de novembro comemoramos o "Dia Nacional da Consciência Negra" data essa estabelecida pela Lei nº 10.639 de 9 de janeiro de 2003, escolhida para homenagear o dia do aniversário do Zumbi dos Palmares.
Nessa semana a Secretaria Municipal de Educação homenageia a todos os lutadores de nosso país contra qualquer tipo de preconceito e discriminação, independente de gênero, cor, religião ou segmento social, com uma poesia retirada das Edições Paulinas, autor desconhecido. A qual leva a uma reflexão sobre a importância de educar para a diversidade:



DEUS DECEPÇÃO

 Eu,
Detestando pretos,


Eu,
Sem coração!...


Eu,
Perdido num coreto,
Gritando: "Separação"!


Eu,
Você,
Nós... nós todos,


Cheios de preconceitos,
Fugindo como se eles carregassem lodo,


Lodo na cor...
E com petulância
Arrongância,
Afastando a pele irmã


Mas 
Estou pensando agora:
E quando chegar minha hora


Meu Deus, se eu morresse amanhã,
De manhã?


Numa viagem esquisita,
Entre nuvens feias e bonitas,
Se eu chegasse lá
E um porteiro manco,
Como os aleijados que eu gozei,
Viesse abrir a porta ,
E eu reparasse em sua visita torta,
Igual aquela que eu critiquei?


Eu,
Cheio de preconceitos,
Racista!


Eu,
Com falsos conceitos,
Neo-nazista!


Se sua mão tateasse pelo trinco,
Como as mãos do cego que não ajudei?


Se a porta rangesse
Chorando os choro que provoquei?


Se uma criança me tomasse pela mão,
Criança como aquela que não embalei?...


E me levasse por um corredor florido,
Colorido,
Como as flores que eu jamais dei?


Se eu sentisse o chão frio,
Como o dos presídios que não visitei?


Se eu visse as paredes caindo,
Como as das creches e asilos que não ajudei?


E se a criança tirasse corpos do caminho,
Corpos que eu não levantei


Dando desculpas de que eram bêbados
mas eram epiléticos


Que era vagabundagem,
Mas era fome!


Meu Deus !
Agora me assusta pronunciar seu nome!


E se mais para a frente
A criança cobrisse o corpo nu
Da prostituta que eu usei,
Ou do morimbundo que eu não olhei,
Ou da velha que eu não respeitei,
Ou da mãe que não amei?...

Corpo de alguém exposto,
Jogado por minha causa,
Porque eu não estendi a mão,
Porque do amor fiz pausa
E dei, sei lá, só dei desgosto!


E no fim do corredor, o início da decepção!
Que raiva, que desespero,
Se visse o mecânico, o operário,
Aquele vizinho, o maldito funcionário
E até, até o padeiro,
Todos sorrindo não sei de quê!


Ah! sei sim, riem da minha decepção.


Deus não está vestido de ouro!
Mas como???


Está num simples trono:

Simples como não fui,
Humilde como não sou.

Deus decepção!

Deus na cor que eu não queira,
Deus cara a cara, face a face,
Sem aquela imponente classe.


Deus simples! Deus negro!


Deus negro!


E eu...
Racista,
Egoísta.
E agora?


Na terra só persegui os pretos,
Não aluguei casa, não apertei a mão.


Meu Deus você é negro, que desilusão!


Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão?


Que nada!


Meu Deus você  é negro, que decepção!


Não dei emprego, virei o rosto.
E agora?
Será que vai me dar um canto,
Vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me vira o rosto no embalo da bofetado que dei?




Deus, eu não podia adivinhar.
Por que você se fez assim?


Por que se fez preto,
Preto como o engraxate,
Aquele que expulsei da frente de casa!


Deus, pregaram você na cruz
E você me pregou uma peça:
Eu me esforcei à bessa
Em tantas coisas, e cheguei até a pensar em amor,
Mas nunca,
Nunca pensei em advinhar sua cor!